O AVIVAMENTO HEBRIDEANO 1948-1952

O AVIVAMENTO HEBRIDEANO 1948-1952

As Ilhas Hebrides são um grupo pequeno de ilhas, próximas à costa oeste da Escócia. Entre 1948 e 1952, Deus derramou Seu Espírito em resposta às orações de meia dúzia de homens e mulheres. Não é preciso uma multidão para mover a mão de Deus; precisa-se somente daqueles que são determinados a “se meter no meio do povo” e tocar a ponta de Suas vestes.

O PRIMEIRO DERRAMAR

Numa reunião da Igreja da Escócia, em Stornaway, um grupo de homens discutia as condições terríveis da igreja em suas comunidades. Os locais mundanos estavam lotados de gente e as igrejas estavam virtualmente vazias. Os jovens haviam praticamente sumido e parecia que muitas igrejas estavam quase fechando suas portas. Ninguém naquela reunião imaginaria que aquela seria a preliminar para um despertar espiritual incrível.
Entre as várias pessoas preocupadas com o estado da igreja, havia um pequeno grupo de homens vindos de Barvas, o distrito que viria a ser o centro do avivamento.

– O Celeiro

Eles combinaram de se encontrar em um pequeno celeiro ao lado da estrada, para orar. Lá, receberam a revelação de que Deus era um Deus de aliança que havia feito promessas de aliança! “Se isso for verdade”, pensaram, “nós podemos fazer parte dessa aliança e, se cumprirmos nossa parte, Ele deve cumprir a dEle, também. Deus nos fez alguma promessa de aliança a respeito de avivamento?” Imediatamente, as palavras de II Crônicas 7:14 vieram à memória: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”
Naquela mesma noite, o grupo fez uma aliança solene com Deus de intercessão pela comunidade e humilhação em oração até que o avivamento viesse.
Oraram e esperaram no Senhor durante meses – três noites por semana, lutavam e oravam até quatro ou cinco da manhã. Uma noite, enfim, um jovem diácono pôs-se de pé e começou a ler Salmos 24: “Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu santo lugar? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, (…) este receberá a benção do Senhor(…).”
Em resposta a esse desafio de Deus, todos caíram de joelhos, confessando seus pecados e consagrando suas vidas novamente; oravam com mais fervor ainda. Uma hora depois, três deles estavam deitados, prostrados no chão; estavam exaustos. Às cinco horas o avivamento chegou! O celeiro foi de repente tomado pela glória de Deus e o poder liberado ali chacoalhou toda a comunidade.

– As Irmãs Intercessoras

Mais ou menos na mesma época, em um pequeno chalé na vila de Barvas, duas irmãs, já com uma certa idade, também estavam orando. Peggy Smith estava quase cega e Christine Smith estava entrevada por causa da artrite. Tinham 84 e 82 anos, respectivamente. Também buscavam ao Senhor pelo avivamento e a elas foi dada a seguinte promessa: “Derramarei água sobre aquele que tem sede e inundarei o solo seco”.
Uma noite, sabendo que havia outro grupo reunido para orar no celeiro, se juntaram ao redor da lareira para passarem a noite orando, também. Peggy teve uma visão da igreja, cheia de jovens, novamente. Chamou o Reverendo James Murray MacKay e lhe contou aquilo que Deus havia mostrado a ela, pedindo para que encorajasse os mais velhos e os diáconos a se reunirem durante períodos especiais de espera no Senhor.

– A Escolha de Deus

Naquela mesma noite em que a Presença de Deus visitou o celeiro, Sua glória invadiu o pequeno chalé e Deus falou com as duas senhoras, revelando a elas o nome do homem que Deus queria usar em Sua visitação – o Reverendo Duncan Campbell, um ministro presbiteriano e um grande homem de oração. Deus disse: “Daqui duas semanas, enviarei a essa comunidade o maior despertar espiritual já visto neste lugar”.
Ligaram para Duncan Campbell, que estava ministrando na cidade de Skye. Descobriu-se que ele já tinha sido convidado para participar de outras reuniões. Enviou uma resposta, dizendo: ”Não poderei ir agora, mas continuem orando para que eu possa ir no ano que vem.” Quando a resposta chegou aos ouvidos das irmãs, disseram: “Isso é o que o homem diz, mas Deus disse que ele virá daqui duas semanas.” Enquanto esperavam, as reuniões de Duncan Campbell em Skye eram canceladas, porque turistas haviam preenchido todas as acomodações que seriam usadas para o evento. Dentro de duas semanas ele estava em Barvas!

– Duncan Campbell vai à Barvas

Duncan Campbell partiu da costa Loch, atravessando o Minch. Estava planejando ficar 10 dias em Barvas, mas mal sabia o que o aguardava. Quando o barco atracou, Ducan pisou em terra firme e foi recebido pelo Rev. James MacKay e outros dois senhores. Um dos senhores deu-lhe as boas vindas e perguntou: ”Senhor Cambell, o senhor está andando com Deus?”. “Bom, mais do que nunca, posso dizer que temo a Deus”, respondeu Duncan.

– A Primeira Reunião

A primeira reunião aconteceu numa velha igreja local. Muitas pessoas foram com uma grande expectativa, mas nada de extraordinário ocorreu naquela noite. Duncan Campbell parecia estar desapontado e um dos diáconos foi até ele, dizendo: “Não desanime. Está vindo. Posso ouvir o som das rodas das carruagens celestiais. Teremos uma noite de oração e vamos ver o que Deus vai fazer!”.
Eles foram até um chalé próximo dali, acompanhados de mais ou menos trinta pessoas, se ajoelharam em oração e começaram a buscar ao Senhor desesperadamente. Por volta das três horas da manhã, Deus invadiu aquele lugar. Umas doze pessoas ficaram prostradas no chão, sem conseguir falar nada. Algo havia acontecido – Deus começara a agir conforme o prometido. O avivamento veio e homens e mulheres estavam prestes a descobrir a liberdade.
Quando o grupo saiu do chalé, encontrou outros homens e mulheres que buscavam a Deus. As velas estavam acesas em todas as casas daquela rua – ninguém parecia estar pensando em dormir. Três homens foram encontrados prostrados ao lado da estrada recebendo uma avalanche de convicção, clamando para que Deus tivesse misericórdia deles! O Espírito de Deus estava agindo e, logo, a região de Barvas seria tocada de ponta a ponta.

O SEGUNDO DERRAMAR

Na segunda noite, os ônibus vieram dos quatro cantos da ilha, lotando a igreja. Sete homens estavam sendo levados à reunião em um caminhão, quando, de repente, o Espírito de Deus caiu sobre eles com grande convicção e todos foram salvos antes de chegarem à igreja!
Conforme o pregador entregava sua mensagem, uma convicção tremenda descia ali. Lágrimas escorriam pelos rostos das pessoas e homens e mulheres clamavam por misericórdia em cada canto da igreja. O desespero era tão grande que, da rua, era possível ouvir suas lamentações. Um jovem que estava abaixo do púlpito gritava: “Ai, o inferno é bom demais para mim”.
A reunião terminou quando as pessoas começaram a sair. Quando a última pessoa estava partindo, um jovem começou a orar sob um peso enorme de intercessão. Ele orou durante 45 minutos. Enquanto orava, as pessoas foram se aglomerando cada vez mais, até chegar a ponto de haver o dobro do número de pessoas que estavam dentro da igreja do lado de fora. Quando o jovem parou de orar, alguns senhores começaram a cantar o Salmo 132. A grande congregação, então, começou a acompanhá-los, enquanto se apertava dentro da igreja novamente.
No momento em que as pessoas se sentaram, o Espírito, com grande convicção, começou a tomar a igreja e pecadores duros de coração pranteavam e confessavam seus pecados; o culto continuou até quatro da manhã.

– A Delegacia

Quando o culto estava terminando, alguém em desespero correu até o pregador, dizendo: “Venha comigo! Tem uma multidão de pessoas em frente à delegacia. Elas estão chorando, com muita tristeza. Nós não sabemos o que há de errado, mas estão chamando alguém que possa vir e orar com elas”.
O ministro descreveu a cena da seguinte maneira: “Vi algo que nunca pensei ser possível. Algo que jamais esquecerei. Sob um céu estrelado, homens e mulheres estavam de joelhos por todos os lados, próximos às ruas, fora de suas casas, até mesmo atrás dos montes de turfa, clamando para que Deus tivesse misericórdia deles”.
Aproximadamente 600 pessoas a caminho de suas igrejas, de repente, sentiram o poder de Deus cair, trazendo grande convicção e, como Paulo no caminho para Damasco, caíram de joelhos em arrependimento.
O avivamento viera poderosamente. Durante cinco semanas, todo aquele município foi tomado. Duncan Campbell conduzia quatro cultos, toda noite – em uma igreja às sete horas da noite, em uma outra às 10 da noite e, em uma terceira, à meia-noite; voltava para a primeira igreja às três da manhã e ia para casa entre cinco e seis horas. Estava cansado, mas feliz por estar em meio a um mover tão maravilhoso de Deus.
Depois disso, o avivamento se espalhou por outras cidades. Aquilo que acontecera em Barvas começou a acontecer em outros locais. Homens e mulheres por toda a ilha clamavam a Deus pelo avivamento através de intensa intercessão e oração e o poder do Espírito começou a aumentar.

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